
Clélia Inácio Mendes
a Kenji Takenchi, um menino
que a pediu a 6 de agosto
de 1945
1- Se costumais, homens
da terra,
dar asas a aves mortas,
se ouvis com prazer
seus fúnebres trinados,
se correis pelos campos
de sangue
com tochas acesas,
erguei uma “torre da
memória"
e esmagai sob
ela
vossos orgulhos.
2- Eu vejo, ó Hiroxima,
tuas crianças que
choram,
teus olhos vazios
prostrados no silêncio
e oro por ti.
3- Eu sinto, ó Hiroxima,
tua carne dilacerada
teu corpo desnudo
de sentido
e oro por ti.
4- Eu amparo, ó Hiroxima,
teus braços caídos.
Neles deponho
as lágrimas
que em ti se
cruzaram
... e oro por ti.
5- Eu hoje oro
Kenji-Shan
pelo fumo que
se eleva da
cripta
de tua mão,
por Toshin (teu
irmão) que te disse um
eterno adeus.Eu deponho nos
seus túmulos
as cinzas da
minha alma
e como epitáfio
as asas brancas da melodia que
esperaste ouvir
naquela manhã
escaldante
do mês de agosto
dum ano que jamais
findará em mim.
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